Parte 2 de O Falar, O Andar e O Vestir do Professor Cristão
O ANDAR DO PROFESSOR
Cammy Tidwell, MS, MCS
Os tempos definitivamente já mudaram. Somente nos lugares mais afastados e remotos no Brasil se encontra uma escolinha de uma sala só onde a professora dá aula para várias séries juntas. Também, dificilmente se ensina com aquela cartilha dos velhos tempos. Agora usamos multimídia, lousa interativa, ensino diferenciado, salas integradas e muita burocracia.
O ensino realmente mudou, mas o coração do professor permanece o mesmo e o caminho que ele(a) trilha diariamente também. Têm dias que o caminho é recompensador e gratificante, mas têm outros que o andar se torna exaustivo e frustrante. É nessa hora que a tentação é desistir e sair correndo para escapar das pressões e estresse da sala de aula. O professor pode chegar ao ponto de desviar, desistir e se esconder desse caminho que escolheu.
A história de Hagar, em Gênesis 16, nos emociona: é uma série de eventos que nos faz pensar e perguntar, “...de onde você (Hagar) vem? Para onde vai?”
Nós a encontramos com o anjo do Senhor, “perto de uma fonte no deserto, no caminho de Sur”. É interessante que ela tem um endereço tão detalhado no deserto – não era qualquer fonte, mas a fonte no caminho para Sur. É tão intrigante quanto à questão feita pelo anjo: “Hagar, serva de Sarai, de onde você vem? Para onde você vai?”
Nessa questão perspicaz (e os professores não gostam de questões perspicazes?) podemos enxergar três verbos de ação começando, todos com a letra “R” e relacionados à jornada do professor. Talvez, onde você se encontra em sua carreira acadêmica, você esteja avaliando as escolhas já feitas e pensando em outras possibilidades futuras disponíveis.
É extremamente importante notar que o anjo identificou Hagar não somente pelo nome, mas pela profissão também. “Hagar, serva de Sarai”. Quantas vezes você foi apresentada como “a professora do Renatinho”, ou “meu professor do 5º ano”? Enquanto o rótulo “professor” descreve você e sua profissão, é fascinante pesquisar a história da palavra e entender que o seu significado é semelhante à palavra “lembrança”. Não poderia ser mais apropriado! Professores fazem parte da lembrança da infância de todos os alunos. Enquanto os anos passam e os alunos passam pela sua sala, cada um sai com uma lembrança de você: uma informação valiosa, um conselho, uma palavra de incentivo que nunca esquecerão.

Talvez, primeiramente, você precise parar e refletir a respeito dessa verdade. O primeiro “R” na viagem de Hagar nos lembra que é preciso Repousar. O texto nos diz que “o anjo do Senhor encontrou Hagar perto de uma fonte no deserto”. Ela deve ter parado ali para se refrescar e repousar. Ensinar é, simplesmente, exaustivo. Você está constantemente dando de si na sala de aula e isto, em si, pode resultar em cansaço, sem levar em conta as suas responsabilidades com reuniões pedagógicas, reuniões com os pais, planejamentos, cursos de aperfeiçoamento profissional, etc. Você já parou perto da fonte, recentemente, para saciar a sua sede da Fonte de Água Viva?!
No evangelho de João, capítulo 7, Jesus ofereceu este grande convite, “Se alguém tem sede, venha a mim e beba.” Este verbo é de uma ação continua, que realmente quer dizer “deixe ele continuar vindo e continuar bebendo.” Só tem um caminho que garante que você sempre terá os recursos para atuar, para se doar na sala de aula, e esse caminho é continuar se enchendo do Senhor Jesus. “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”
Como educador Cristão, você oferece mais do que os fundamentos acadêmicos, você procura a ensinar lições eternas também. Você tem a oportunidade de oferecer esperança aos seus alunos.
O segundo “R” da viagem de Hagar é de Relembrar. Enquanto o anjo olha e identifica Hagar, suas próximas palavras são impressionantes. “...de onde você vem? Para onde vai?” Ele, gentilmente, aconselha Hagar a olhar para trás e relembrar o seu lar. Alguns teólogos acreditam que Hagar foi dada a Abrão e Sarai por Faraó (Gênesis 12). Se essa suposição for correta, então Hagar estava morando e viajando com eles durante muitos anos. Obviamente, a vida tinha sido meio traumática e recentemente ela tinha sido muito mal tratada, mas Deus, na sua infinita sabedoria, desafiou Hagar a olhar para trás, refletir e relembrar.
Talvez você precise fazer o mesmo. Como foi que você escolheu o magistério? Você estava atendendo a um chamado de Deus para a sua vida? Se a resposta for sim, Ele mudou este chamado? Que memórias e lembranças estão guardadas na sua mente que têm feito você parar, pensar e confirmar que você realmente transformou e impactou a vida de pessoas e que agora, essas mesmas pessoas estão impactando outras? Quais rostos vêm à sua memória e fazem você sorrir quando relembra certos momentos de sua classe que foram mais especiais e marcantes que outros?
Veja professor… que caminho trilhou até agora? Relembre...
E, finalmente, enquanto você está relembrando, gaste algum tempo para Reavaliar – nosso terceiro “R”. Muitas vezes nós baseamos nossa ideia de realização dentro da perspectiva de sucesso secular. Durante os anos do Seu ministério público, Jesus foi chamado “Rabi” ou “Mestre”. No evangelho de Mateus, lemos que “Jesus foi por toda a Galileia, ensinando...”. Será que Jesus, o Filho do homem, que também era totalmente Deus, era tão acessível porque Ele era um educador compassivo? Será que Ele foi um educador de sucesso por causa dessa qualidade?
Ensinar requer a transmissão da verdade e conhecimento com amor e graça. Jesus era o Professor Mestre, e se você estiver refletindo sobre o caminho que está diante de você, seria interessante gastar algum tempo estudando a vida de Jesus e os anos que gastou ensinando. Uma viagem pelo Evangelho de Marcos nos dá uma ideia dos Seus “planos de aula”. Enquanto Jesus viajava passando pelas cidades e vilarejos Ele aproveitava todas as oportunidades de derramar graça e instruir o povo pelo qual tinha tanta compaixão.
Nessa caminhada com Jesus, os seus discípulos desejavam alguma lembrança da Sua glória e pediram, conforme o evangelho de Marcos capítulo 10, o privilégio de sentar à sua direita e à sua esquerda em Sua Glória. Mas, Jesus repreendeu essa ideia e, mais uma vez, ensinou-lhes um princípio básico do andar do educador cristão, dando de si mesmo como um exemplo incomparável.
“Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo... Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Marcos 10.43, 45
Ensinar é servir, servir é ser como Cristo. Enquanto você reavalia a sua vida, pergunte a si mesmo: “Como posso ser semelhante a Cristo em minha sala de aula?”
Repouse, relembre e reavalie. Abra seu coração para o ensino suave da Palavra do Senhor e deixe que essas palavras sejam a sua oração:
Que o meu ensino caia como chuva
E as minhas palavras desçam como orvalho,
Como chuva branda sobre o pasto novo,
Como garoa sobre tenras plantas.
Proclamarei o nome do Senhor.
Louvem a grandeza do nosso Deus!
DEUT. 32.2-3