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Inclusão: Mais um grande desafio para as escolas cristãs

 Escrito por Débora Narcizo da Silva

 

Inclusão é um assunto que levanta muitos questionamentos. Enquanto o governo está elaborando leis para assistir aos portadores de necessidades especiais, muitos setores precisam fazer ajustes para se adequarem a essas novas exigências.

As escolas precisam oferecer acessibilidade na estrutura física e um currículo flexível, sem deixar de lado as capacitações e atualizações que os docentes devem ter para lidar com esses alunos.

Aqui está um relato de uma escola associada, a Escola de Educação Infantil Nova Geração em Itú (SP), que tem feito um belo trabalho de inclusão! Veja o depoimento abaixo.

 

Sem dúvida alguma, a escola que aceita o desafio da inclusão de crianças especiais no seu dia-a-dia torna-se rica, pois é obrigada a descobrir alternativas para vencerem os obstáculos que a proposta inclusiva traz.

 

O primeiro aluno (M) entrou na última fase da Educação Infantil. A segunda aluna foi matriculada na penúltima fase da Educação Infantil. O desafio estava lançado, porém apenas começando. Uma das facilidades para a inclusão destas crianças neste ano foi sem dúvida o número de alunos nas salas (dez alunos) e um banheiro ao lado da sala de aula. A professora, sem auxiliar, contou com o apoio de todos os funcionários que faziam parte do dia-a-dia da escola, inclusive daqueles que chamamos de professores extras (professores de Música, Educação Física, Inglês e outros). Temos o seguinte conceito: Somos mais que educadores; somos missionários de Deus na escola.

 

Deus colocou um amor imenso no coração de todos, sobretudo, no coração da professora Danyelle, que abraçou o desafio. O resultado foi que o aluno M saiu da escola alfabetizado e com Jesus no coração. Pela sua dificuldade em coordenar os movimentos de praxia fina, o aluno foi trabalhado com um meio alternativo para a comunicação escrita: o quadro imantado, ou ainda com adaptador de lápis acoplado à sua mão em folhas A3 e computadores. Quanto à comunicação oral, M fazia terapia de fonoaudiologia e tinha uma voz esofágica, mas conseguia se comunicar verbalmente e com fluência apesar das dificuldades. Seu raciocínio era rápido, o que ajudou muito o nosso trabalho. As atividades propostas para ele eram todas iguais às da sala, só que adaptadas a estes meios alternativos para a execução dos objetivos que propúnhamos às crianças. E as outras crianças da sala? Bom, as crianças desenvolveram um amor enorme e uma compaixão maravilhosa. Sempre esperavam por ele na execução das atividades de sala e atividades esportivas, como futebol e natação.

 

Com paciência e adaptação, M conseguia vivenciar todas as propostas de atividades com as outras crianças da escola. Foi maravilhoso vê-lo avançar para o ano seguinte alfabetizado e bem socializado. Todos, alunos e professores, ganharam com a presença de M.

 

Outra excelente experiência foi com uma aluna. Ela apresentava comprometimentos mentais e também uma suspeita de autismo. Isso comprometeu o processo de alfabetização. Mas ela ampliou significadamente seu vocabulário, a sua interação com outras pessoas, e descobrimos um talento enorme para cantar, uma afinação fora do comum para uma criança. Ela cantava louvores como ninguém!

 

A escola conta com outros alunos especiais em outras séries, e nosso propósito é ajudá-los a achar um espaço na sociedade de acordo com o que podem oferecer, além de proporcionar a outras crianças a convivência com estes alunos e ensiná-las a respeitar o outro, sabendo que cada ser é único e do jeito que Deus o criou.

 

Trabalhar com educação inclusiva é um desafio e uma surpresa ao mesmo tempo. Coisas maravilhosas acontecem, que não poderíamos imaginar, mas com certeza não é tarefa fácil. No entanto, é nas adversidades deste trabalho que encontramos a capacidade de superação: de nós mesmos, dos prognósticos descritos pela medicina, entre outras limitações. Porém, a cada vitória por mínima que seja, como pedir água sozinho ou falar a palavra “tia”, é motivo de comemoração e agradecimento para todos, funcionários e crianças.

 

A escola que aceita o desafio da inclusão torna-se rica pela capacidade que adquire por meio das superações dos obstáculos. Deus é o artista e Ele, como todo artista, planeja o que vai executar, ou seja, consegue ver o que vai executar sem mesmo tê-lo feito ainda. Com certeza, hoje podemos ver que a nossa escola é o barro e Deus, o oleiro. Ele sabia o que seríamos capazes de executar mesmo quando nem nós mesmos sabíamos.

 

Hoje, somos a primeira escola adaptada em Itú com acessibilidade para deficientes. Graças a Deus, temos aprendido e adquirido uma bagagem significativa nessa área, porém sua obra não está concluída, pois somos ainda uma escola só de educação infantil, mas temos planos para, no futuro, ampliarmos a proposta educacional. A nós só nos cabe dizer: Eis-nos aqui, Senhor!


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