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Feliz 2012!

Escrito por Marta Franco Dias da Silva


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Querido educador,

 

Mais um ano se inicia! Não poderíamos deixar de dizer a célebre frase: Feliz Ano Novo.

 

A frase ainda ecoa em nossos ouvidos. Nessa época do ano, nem os piores inimigos nos dizem infeliz ano novo. Mas o que realmente significa “feliz” ano novo?

 

A maioria dos artigos educacionais publicados em revistas e jornais desde o final do ano passado e início deste ano tem trazido discussões interessantes, próprias de final e início de ano letivo: os vestibulares, o ranking no Enem, as matrículas, as propostas educacionais das “melhores escolas”, a escolha da escola, dicas e estratégias para o gestor escolar atual.

 

Com certeza, vocês já fizeram a análise do ano letivo passado e estão propondo mudanças, inovações, estratégias de marketing, planos para melhorar a nota do Enem, e assim vai. Muito correto, imprescindível e salutar para qualquer instituição preocupada com a qualidade do ensino que oferece.

 

Pensei muito na pregação que ouvi no domingo passado enquanto meditava sobre o que escrever e decidi pegar emprestada a ideia do sermão e aplicá-la no contexto escolar.

 

Que tal reestudarmos nosso currículo para garantir que a mensagem do real “Feliz Ano Novo” permeie nosso ensino a fim de alcançarmos aqueles a quem propomos “educar”?

 

O que as Escrituras têm a dizer sobre a verdadeira felicidade? O que significa ser feliz? As bem-aventuranças, proclamadas no Sermão da Montanha (Mateus 5.1-12), são um resumo dos princípios sobre a verdadeira felicidade.

 

Esta passagem forma um paradoxo, contrariando a ideia da nossa cultura do século XXI e mais uma vez nos mostra que "… 'Deus não vê como o homem vê, o homem vê a aparência, mas Deus sonda o coração’" (I Samuel 16.7). Sem dúvida, é uma palavra desafiadora, mas que garante aquilo que tanto almejamos e desejamos para nós mesmos, nossos filhos e nossos alunos.

 

O Sermão do Monte talvez seja o trecho mais conhecido das Escrituras, ainda que entendido por poucos e por poucos seguido também.

 

Ao lermos as bem-aventuranças, se formos honestos, ficamos perplexos com a proposta, se compararmos com o que vemos e ouvimos diariamente.

 

Não tenho pretensão de fazer um estudo do sermão, apenas recordar as bem-aventuranças e desafiá-los a refletir como é que podemos garantir que essa mensagem poderosa seja compartilhada com nossos alunos nesse ano letivo de 2012.

 

No Sermão do Monte, podemos notar claramente o contraste entre os padrões cristãos e não-cristãos. Se em nossas escolas cristãs estamos procurando, de fato, ensinar um estilo diferente de vida, devemos fazer de tudo para que nossos alunos entendam que o maior alvo na vida é andar com Jesus e que a felicidade vem do relacionamento com Ele e da Sua palavra.

 

Bem aventurados:

1.   Os pobres de espírito - Significa aqueles que dependem inteiramente de Deus para tudo o que possuem e são destituídos de mérito próprio e, assim, aceitam a salvação como o dom de Deus em Cristo Jesus. Deus é a única esperança. Sentiu o desafio? Corremos para ser a melhor instituição e termos as melhores notas no Enem, batalhamos para que nossos alunos sejam manchete no jornal, que saiam na frente na concorrência de mercado... Que tal também lutarmos para que seja inculcada na mente de nossos alunos que tudo provém de Deus, que sem Ele nada podemos fazer?!

2.   Os que choram - Choro aqui significa que reconhecemos nossa incapacidade e miserabilidade e choramos pela misericórdia de Deus. Forte? Sem dúvida! Mas é o nosso estado e carecemos de Deus. É uma mensagem que devemos passar aos nossos alunos. Já pensou nisso? Como isso é contrastante com a proposta de autonomia de indivíduo e da autosuficiência que a nova pedagogia estimula!

3.    Os mansos - Porque fomos alcançados pela graça de Deus temos que dispensar o mesmo favor aos outros. Sabemos que nada tem a ver com fraqueza. Significa uma atitude de reconhecimento de que somos também carentes da graça de Deus. Na cultura do sempre “levar vantagem”, esse princípio está fora. Mais uma vez corremos contra o vento.

4.    Os que têm fome e sede de justiça - Desejo de viver segundo os princípios de Deus e, assim, influenciar ao seu redor. Cristo se refere a uma justiça que é vista através das nossas ações, com uma atitude ética. Que alvo sublime para colocarmos em nosso Projeto político! Essa instituição tem o alvo de preparar alunos que tenham fome e sede de justiça.

5.    Os misericordiosos - O sinônimo mais próximo é compaixão. Não é dó; é ação. Significa estender aos outros o que recebemos de Jesus. As Escrituras repetidas vezes nos exortam a demonstrarmos misericórdia, compelidos pela gratidão, para que nós mesmos sejamos tratados com misericórdia (Mt. 18.23-25, Mt. 25.31-46, 2Co 1.3,4, Ef 4.32, Ef 5.1). Nossas escolas são conhecidas por exercerem misericórdia?

6.  Os limpos de coração - Significa ausência de falsidade diante de Deus e dos homens. Quando a Bíblia fala em coração limpo, significa atitudes interiores puras que refletem o caráter de Deus. O íntimo do nosso coração, incluindo pensamentos e motivações, deve ser puro, sincero, sem dissimulações, desonestidade e hipocrisia. O desafio continua. Jesus fala aqui do nosso coração, algo que ninguém vê, a não ser Deus.

7.  Os pacificadores - Significa a busca do perdão, da reconciliação. Somos chamados para pacificar. Devemos ativamente procurar a paz, seguir a paz com todos e, até onde depender de nós, ter paz com todos os homens. Devemos ter o alvo de preparar alunos que levarão a paz, o perdão e a reconciliação.

8.   Os perseguidos por causa da justiça - Quando pensamos que as coisas vão melhorar, temos na última bem-aventurança um desafio maior: sofrer por seguir esses princípios! Isso mesmo: Devido à obediência a Cristo, iremos sofrer algumas perdas, humilhações, perseguições e até a morte... Isso é duro demais para falar no contexto escolar! É contra a cultura mesmo. Vocês estão dispostos a pregar esse discurso?

 

Mas bem-aventurados sois vós...

 

Deixei, de propósito, de mencionar os resultados de cada uma das bem-aventuranças, pois são consequência natural de seguir os ensinamentos mencionados no Sermão do Monte. Vocês poderão lê-los mais tarde.

 

Então, como é que podemos incluir esse “pesado” discurso em nossa escola?

 

Talvez, para alguns alunos, a sua escola seja o único lugar em que ouvirão essa mensagem desafiadora, contra a cultura, no entanto, transformadora.

 

Deixo o desafio para vocês reavaliarem o seu programa para incluir em seus objetivos o que o Senhor Jesus nos propõe no Sermão do Monte.

 

Assim, “Feliz Ano Novo” ganhará um significado mais profundo.


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